Antes de apresentar a lista de filmes aqui proposta, é válido relembrar que RACISMO é crime previsto por lei. Denuncie pela central 156, não se cale. #VidasPretasImportam

Em meio a uma pandemia, o movimento #BlackLivesMatter levou pessoas as ruas nos EUA devido ao caso George Floyd. As manifestações são contra a força de ataque exagerada (e despreparada) de policiais, e contra o racismo no geral. No Brasil, o #VidaPretasImportam também vêm criando forças pela recente morte do menino João Pedro Mattos, de 14 anos.

Casos como esses não são raridades, a polícia tanto norte americana como a brasileira são extremamente despreparadas e cometem crimes diariamente contra a população preta. Essas manifestações têm como dever dizer que não desistiremos da luta e iremos confrontar até recebermos o respeito que merecemos.

É seguindo essa linha de luta por direitos, respeito e igualdade por pessoas pretas, que a lista de hoje apresenta 8 filmes onde essa luta é retratada de diferentes formas. Estamos em 2020 e a presença preta nos cinemas (no entretenimento em geral) ainda é um obstáculo longe de ser superado.

Os filmes aqui selecionados são fáceis de encontrar em plataformas de streaming, uma vez que infelizmente, muitas obras, principalmente brasileiras, acabaram ficando de fora pela falta de disponibilidade fácil (uma lista dessa só com produções brasileiras virá em breve). Confira a seleção:

1. FRUITAVELLE STATION: A ÚLTIMA PARADA (2013)

O primeiro filme dessa lista é o mais atual possível. Fruitvale Station conta as experiências do último dia de vida de Oscar Grant, interpretado por Michael B. Jordan, antes de ser morto a tiros pela polícia. Isso não é um spoiler, o filme começa com as imagens reais de Oscar Grant e seus amigos sendo detidos pela polícia na estação Fruitvale BART em Oakland no dia 1º de janeiro de 2009, pouco antes do tiroteio.

O assassinato de Grant desencadeou uma série de protestos por toda a cidade, como é visto no final do filme. O ocorrido foi registrado por várias pessoas, seja por celular ou câmera de vídeo. Os policiais envolvidos foram demitidos e tiveram seus nomes alterados para julgamento, o culpado recebeu uma sentença de apenas 11 meses, alegando que confundiu sua arma com um taser.

2. BLACKKKLANSMAN – INFILTRADO NA KLAN (2018)

Filme de Spike Lee de 2018 é baseado na autobiografia Black Klansman de Ron Stallworth. A história apresenta o detetive preto Ron Stallworth (John David Washington) que tem como missão se infiltrar e expor a comunidade racista Ku Klux Klan em 1978. Ele se comunica por cartas e telefone, mas quando precisa aparecer, envia o policial branco Flip Zimmerman (Adam Driver) para se passar por ele. Assim ele conseguiu sabotar vários crimes cometidos pelos racistas. O filme foi indicado a seis categorias no Oscar de 2018, assista.

3. MOONLIGHT – SOB A LUZ DO LUAR (2016)

O drama Moonlight é dividido em 3 partes: Little, Chiron e Black. Cada uma das partes remete a uma etapa na vida do personagem principal Chiron (Trevante Rhodes), onde ele passa por um processo de se entender, em relação a sua identidade e sobre sua sexualidade. Moonlight é o primeiro filme da história com o elenco inteiro composto por pessoas pretas a ganhar o Oscar de Melhor Filme, além também de ser o primeiro filme com temática LGBTQIA+ a vencer essa categoria.

4. COACH CARTER (2005)

Carter (Samuel L. Jackson) aceita o trabalho de técnico de basquete na sua antiga escola localizada em uma comunidade preta e pobre dos Estados Unidos. Ele era uma espécie de lenda, devido aos prêmios que conquistou em sua época e quando chega a escola, impõe uma série de regras que provocam raiva nos atletas e na comunidade. Com o passar do tempo, Carter consegue deixar claro que seu objetivo na verdade é empoderar jovens pretos para que eles enfrentem o racismo no mundo.

5. DJANGO LIVRE (2012)

Vou tirar logo o band-aid na minha primeira postagem… Não sou fã do Tarantino e não vou muito com a suas produções, então para eu falar bem dele realmente tem que ser algo relativamente ok e esse é o caso de Django. Jamie Foxx interpreta Django, um escravo que é libertado pelo Dr. King Schultz (Christoph Waltz), que usa a profissão de dentista para disfarçar seu real trabalho: caçador de recompensas. Ele promete a Django que depois do trabalho feito, o agora ex escravo será liberto e poderá ir atrás de sua esposa, que está nas mãos do poderoso Calvin Candle (Leonardo DiCaprio).

Por que esse filme está nessa lista? Django enfrenta situações racistas que aconteciam nos Estados Unidos na época, com referência a casos que ocorrem até os dias de hoje, em meio a bons diálogos. Fora a mudança do personagem de um escravo para um homem imponente (mesmo que por meio de coisas estranhas). Como disse, é um filme relativamente ok, mas que merece destaque pelas situações e diálogos apresentados.

6. 12 ANOS DE ESCRAVIDÃO (2013)

Esse é pesado de assistir. Em 1841, Solomon Northup (Chiwetel Ejiofor), um preto liberto trabalha como músico e tem sua esposa e filhos consigo. Até que sofre um golpe a acaba sendo sequestrado e vendido como escravo para uma lavoura em Washington, ali ele trabalha por 12 anos, sofrendo abusos e longe da família.

O filme recebeu 9 indicações ao Oscar, incluindo a de Melhor Filme no qual foi vencedor.

7. SELMA – UMA LUTA PELA IGUALDADE

Selma retrata a história de Martin Luther King Jr. (David Oyelowo) na luta pela conquista do voto por pessoas pretas nos Estados Unidos. Em 1964, Martin Luther King Jr. recebeu seu Prêmio Nobel da Paz, mas mesmo assim inúmeros pretos ainda não tinham recebido acesso aos cadernos eleitorais.

Para garantir que toda a comunidade recebesse esse direito, junto ao Presidente Lyndon B. Johnson (Tom Wilkinson) e outros apoiadores, Martin realiza as Marchas de Selma a Montgomery, enfrentando a violência dos policiais e de pessoas da oposição. (P.S.: A música desse filme, chamada Glory e cantada pelo John Legend… Nossa).

8. RAÇA (2016)

     Para finalizar essa lista, nada melhor que ver pretos superando nazistas. Raça conta a história do atleta Jesse Owens (Stephan James) que ganhou 4 medalhas de ouro nas Olimpíadas de Berlim em 1936, bem na cara do Hitler (risos).

O técnico Larry Snyder (Jason Sudeikis) vê Jesse como uma bela promessa do atletismo e planeja o mandar para as Olimpíadas em Berlim, exatamente quando as teorias de supremacia branca estavam em alta no páis. Até chegar lá situações pessoais o atrapalham, mas no final, o atleta leva 4 medalhas de ouro para casa. Em uma das cenas, Hitler vai embora antes de cumprimentar o atleta, alegando o trânsito, mas sabemos o real motivo. É lindo de ver esse filme, assistam.

Então é isso, assistam filmes sobre pretos, atuados, escritos, dirigidos e produzidos por pretos, deem espaço para essas pessoas mostrarem o que sabem fazer, suas vivências e suas histórias. Sabemos que o entretenimento está precisando de mais diversidade racial, sexual e afins, quando essas produções aparecem é nosso dever dar a devida atenção a elas.