Duplas de rock

Listamos quatorze bandas compostas apenas por duas pessoas, capazes de fazer música com tanta inventividade, qualidade e energia, que nos faz duvidar desse número de integrantes. Por aqui não é preciso mais de duas pessoas, uma bateria e uma guitarra, as vezes um baixo ou um violão para que se faça boa música.

1 – Red Boots

O Red Boots é daquelas que quando ouvida nos fones leva o ouvinte a pensar no absurdo que deve ser a banda ao vivo. Pelo som forte, agressivo e sujo do duo potiguar. A banda é mais uma que fortalece a rica e consolidada cena do Rio Grande do Norte. A dupla de Mossoró é formada por Luan Rodrigues na guitarra e no vocal e Gil Holanda na bateria. O som do duo passeia pelo grunge com pegada e alma de stoner. A banda surgiu em 2005 e lançaram o primeiro disco em 2012, o Aracnophilia (Dosol) um poderoso disco de estreia, muito bem recebido pela crítica. Dois anos depois lançaram o segundo, que ainda é o seu mais recente registro, o excelente Touch the Void (2014, Dosol). Um disco que mostra toda a capacidade musical da dupla, contendo no disco músicas de stoner poderosas como “Teleknises”, que abre o registro, “Soul in reverse” e “Destoyer”, e também a ótima, calma e quase soul/country “Strange Ways”. O disco foi gravado no renomado estúdio Costella e produzido pela própria banda, com co-produção e direção artística de Anderson Foca, do Dosol, e mixagem e masterização de Chuck Hipolitho, do Vespas Mandarinas e Forgotten Boys. O Red Boots é aquele tipo de duo que faz um barulho de orquestra, vale muito dar atenção ao som desses caras.

2 – Royal Blood

Que banda meus amigos! O Royal Blood é tão genial e inventivo que podemos dizer sim que a ascensão da banda foi meteórica. Composta pelo vocalista e baixista Mike Kher e pelo baterista Bem Thatcher, foi formada em 2013 na cidade de Brighton, Reino Unido. Lançaram pela primeira vez em 2014, o EP Out of Black (Warner Bros. Records). No mesmo ano veio o espetacular e homônimo disco de estreia. E em 2017, o seu mais recente trabalho, um dos grandes discos de rock de 2017, o How Did You Get So Dark (Warner Bros. Records). Resumidamente, em menos de cinco anos de existência possuem discos muito bem recebidos por crítica e fãs, foram premiados, uma legião de fãs passou a existir, já abriram show para grandes bandas como o Foo Fighters e o Arctic Monkeys, além dos vários shows nos maiores festivais do mundo, como o Glastonbury, o Reading festival e o Rock in Rio. Meteórico! O duo faz uma espécie de mescla perfeita entre hard rock, blues-rock, stoner e garage, por vezes mais blues rock, mais garage, mas sempre muito rasgado e correto. Muita dessa qualidade pode ser atribuída a habilidade de Mike, quase sendo um malabarista para fazer seu contrabaixo soar como guitarra ou como baixo quando ele bem entende. Mike abusa de forma natural das distorções, o que atribui a adorada organicidade ao som da banda. Lemmy (RIP) usou por muito tempo técnica parecida no Motorhead. Uma sonoridade que já impressionou gente como Tom Morello e Jimmy Page, por exemplo. Jimmy chamou o som dos caras de “música de tremenda qualidade” e se declarou fã. Muitos méritos também ao que faz Ben na bateria, podemos tomar como exemplo a intro de “Where are you now?”, quinta faixa do último disco, além da intro, o andamento da faixa é dado pelas linhas e viradas de bateria. Fato é que o Royal Blood é uma das grandes bandas a surgirem nos últimos anos, a qualidade é indiscutível, comprovada por tudo que fizeram em tão pouco tempo de existência.

3 – The Black Keys

Provavelmente a mais famosa dessa nossa lista, com certeza a mais ouvida por aí. O Black Keys é um espetáculo. A dupla é formada por músicos extremamente competentes, Dan Aauerbach, nas cordas e voz, e por Patrick Carney, baterista e também produtor da dupla. Os fãs que acompanham a dupla desde o primeiro registro, o The Big Come Up (2002, Alive Records) gravado no porão de Patrick, cru, como era de se esperar, e que hoje chegaram ao “Let’s Rock” (2019, Nonesuch Records) último disco lançado pela dupla, puderam observar um absurdo ganho de qualidade e maturidade musical no som do duo. A dupla vem da cidade de Akron, Ohio, e se mantém fieis ao seu indie rock/soul alternativo, com aqueles pequenos passeios por outros gêneros que só reafirmam a capacidade dos dois. O segundo e excelente disco dos caras também foi gravado no porão de Patrick, o Thickfreackness (2004, Fat Possum Records) amplia o horizonte musical da dupla com onze faixas gravadas em apenas uma sessão de onze horas seguidas. A banda possui no total quatro EP’s e nove discos de estúdio. Destacamos os dois mais sensacionais trabalhos da banda, o Brothers (2010, Nonesuch Records) respeitado e premiado com dois grammys. Disco cheio de hits, como “Tighten Up”, “Next Girl”, “Everlasting Nigth”, “Sinister Kid” e “Howlin for you”, disco completo, encorpado, impecável. O segundo destaque é o El Camino (2011, Nonesuch Records) lançado no ano seguinte mantém o nível de qualidade do seu antecessor, para muitos até eleva o nível. Também é dono de dois grammys e traz consigo praticamente os mesmos méritos do registro anterior. Belos e impressionantes riffs, como em “Gold on the Ceeling”, a vibe “sessentista contemporânea” com cara de Led Zeppelin de “Little Black Submarines” que chega com força e com mais riffs impressionantes e belas viradas de Carney. O radiológico mega hit “Lonely boy” é o responsável por abrir o disco. “Dead and Gone”, “Run Rigth Back” e “Mind Eraser” que fecha o registro são outras grandes faixas. Rock, blues-rock, garage, rockabilly, música de qualidade, o Black Keys é uma das melhores coisas do mundo da música nesse século, e por isso é indispensável.

4 – Muñoz

O duo mineiro faz muito barulho com guitarra e bateria. Solos acelerados e distorções na medida, stoner rock de altíssimo nível. Pitadas de heavy e blues rock, mas muito stoner. A dupla é formada pelos irmãos Mauro (voz/guitarra) e Samuel Fontoura (bateria) naturais de Mineiros – MG, começaram com a banda quando moravam em Uberlândia e são radicados em Florianópolis. Lançaram de forma independente o primeiro registro em 2013, o belo EP homônimo com meia hora de duração e notória influência de blues rock do passado. No ano seguinte lançaram o primeiro disco cheio, o excelente Nebula (Independente) presente em muitas listas de melhores discos nacionais daquele ano. Dois anos mais tarde os irmãos lançaram aquele que é o seu melhor registro até então, o Smokestack (Infrasound Records e Chezz Recs). São nove faixas no total, sete inéditas, além de duas belas releituras, uma versão de “Sometimes I’m Happy” do Sabbath, e “Maybe, I’m a Leo” do Deep Purple. Dentre as inéditas, destaque para a poderosa “N.U.M.B.” que abre os trabalhos com muito peso e a beleza das linhas de bateria em “Freemind” e “Implosion”. O último registro da dupla acabou de sair, Nekomata (Abraxas/Locomotiva) foi lançado no último dia 18 de outubro, o mais conceitual do duo. Contando com dez faixas é um disco que amplia o horizonte musical do duo, que mantém firme a influência de heavy e blues rock, mas apresenta também pitadas de afrobeat e de ritmos latinos. O Muñoz é uma das grandes bandas que surgiram na cena do stoner-blues brasileiro recentemente, demonstram clara evolução através dos registros, sinal de que coisa boa ainda virá e que assim seja.

5 – Brothers of Brasil

João Suplicy e Supla, o “papito”, os irmãos Suplicy são os irmãos do Brasil, são a Brothers of Brasil. O primeiro disco que os brothers lançaram foi o PUNKANOVA (2009, Side Dummy Records) e o nome do disco já entrega o que é sonoramente esse duo familiar, uma mistura funcional do punk de Supla com a Bossa Nova de João. A dupla encontrou um lugar comum entre os dois gêneros e fazem música com muita qualidade dentro desse lugar musical. Um indie-pop rock alternativo, nunca muito punk e por muitas vezes com muita cara e sonoridade de bossa. Os dois já lançaram um EP, o Come On Over (2014), e outros três discos de 2009 pra cá, Brothers of Brasil (2011) e o ótimo Melodies From Hell (2014) além do excelente e melhor de todos os trabalhos, On My Way (2012) todos pelo mesmo selo. “On My Way” é também o single do disco responsável por abrir o registro, que possui outras belas faixas, como “Viva Liberty”, “Hustler Girl”, com algumas frases em português e belas linhas de violão, a mais bela faixa do disco “Sushi Taco”, “Missing the Boat”, “Daddy on a Spaceship” e a maravilha “Só Não Se Esqueça de mim”. No último mês de setembro a dupla lançou o bonito single “Imagined Crimes”. Depois do lançamento do segundo disco a banda fez mais de duzentos shows apenas entre Reino Unido e EUA, tocaram no Warped tour, o maior festival itinerante dos EUA, sempre muito bem recebidos pelo público fora do país. Em 2012 a revista Rolling Stone colocou “On My Way” na lista das vinte melhores músicas do ano. Brasilidade pulsante apreciada pelo público de várias partes do mundo feita por uma grande dupla de músicos brasileiros.

6 – The Baggios

Mais uma nordestina na lista. A dupla em questão vem do interior do Sergipe, da cidade de São Cristovão é traz consigo uma sonoridade própria, um blues rock qualificado com sotaque regional. É Formada por Júlio Andrade, vocalista e guitarrista, e Gabriel Carvalho na bateria. Bateria essa que já passou por duas mudanças desde a criação da banda em 2004, em 2008 Gabriel assumiu e permanece. A discografia da banda conta, além de alguns EP’s e singles com três discos, o primeiro, um disco homônimo lançado em 2011, dois anos depois lançaram o ótimo Sina (2013, Independente) para em 2016 lançar o excelente Brutown (Toca Discos) disco que levou a dupla a concorrer ao grammy latino na categoria de melhor álbum de rock ou música alternativa em português. E o Brutown é isso tudo mesmo. Conta com várias participações, como Emmily Barreto do Far From Alaska, Jorge Du Peixe da Nação Zumbi, Felipe Ventura do Baleia e Felipe Catatau do Cidadão Instigado. O disco é uma mostra da maturidade adquirida pela dupla. Até mesmo nas questões abordadas nas letras, como em “Sangue e Lama” que lembra da tragédia de Mariana e do atentado do bataclan em Paris, e “Estigma” que também tem letra com cunho social, falando da violência nas grandes cidades. Em setembro a dupla lançou a versão acústica da faixa “Bem Te Vi”, música que faz parte de Vulcão (2018, Toca Discos) mais recente trabalho do duo. No disco, essa canção conta com a participação de Céu. A Baianasystem também participa do disco, na maravilhosa faixa “Deserto”. A dupla já tocou em diversas partes do país e em importantes festivais, no Dosol em Natal e até mesmo no Lollapaloza em 2016. O The Baggios é mais uma daquelas que vem em uma bela crescente de qualidade nos seus últimos registros, crescente essa comprovada pela indicação ao grammy por exemplo, veio para ficar e que fique mesmo.

7 – Eagles of Death Metal

Há algum tempo atrás ouvi que o Josh Home é uma espécie de Paul MaCcartney pós-moderno, pela capacidade da fazer as coisas darem certo. Tudo que Josh põe a mão funciona, como um tal Queens of the Stone Age, ou na parceria com Dave Grohl e John Paul Jones no Them Crocked Vultures. E também na forma de dupla, junto com Jesse Hughes formando o Eagles of Death Metal. A dupla foi formada em Palm Desert, na California em 1997 e lançaram seu primeiro disco apenas em 2004. Peace, Love, Death Metal (AntAcidAudio) é um belo registro de estreia, hard e garage rock do começo ao fim, apresentando a banda e suas até hoje não perdidas particularidades. O disco traz consigo alguns dos mais importantes hits da banda, “Miss Alissa” e “I Only Want You”. Posteriormente a banda lançou em 2006 o ótimo Death by Sex (Downtown Records) com a dançante faixa de abertura “I Want You So Hard”, e em 2008 o Haeart On (Downtown Records). Em 2015, após sete anos sem inéditas, a dupla volta com o marcante e mais perspicaz disco da banda, nosso preferido, Zipper Down (Downtown Records, 2015). Mistura de garage e hard já característica da banda, responsável por grandes canções do duo, como “Complexity”, que abre o disco, a veloz e esperta “Got a Woman”, “Silverlake” com seu show de reverbs bem colocados e a espetacular “Save a Prayer”. Infelizmente o disco é marcante também por conta de uma tragédia histórica. Em novembro de 2015 a banda fazia um show Paris, na casa de shows Bataclan, como parte da turnê de divulgação do disco, e uma série de atentados aconteceram na capital francesa, 90 pessoas que estavam na casa foram assassinadas, a banda estava no palco quando os disparos começaram. Depois disso duas músicas do disco viraram espécies de hinos de luta contra a violência, “I Love You All the Time” e a própria “Save a Prayer”. Em novembro do ano seguinte a banda voltou a Paris para seu primeiro show após a tragédia, e o show virou um registro ao vivo, lançado em 2017, o I Love You All the Time: Live at the Olimpia Paris (Eagle Rock). O EODM faz de forma muito qualificada sua mistura segura e divertida de um bom hard e muito de garage, resultado do trabalho de dois grandes músicos e da mão santa de Josh Home.

8 – Fetuttines

Quando falávamos do Red Boots falamos da rica cena do Rio grande do Norte. O Fetuttines é mais uma que fortalece essa cena. A dupla é formada por dois grandes nomes da música potiguar. Luis Gadelha, que entre outros projetos é o Gadelha do Talma & Gadelha, e Anderson Foca, guitarrista do Camarones Orquestra Guitarrística e um dos principais nomes da Dosol. A banda faz um som minimalista, fazendo com que a atenção se volte principalmente para as letras, sendo elas quase que o tempo todo românticas. Beats sutis ainda que contundentes e fundamentais. A duo potiguar possui dois discos de estúdio. O primeiro lançado em 2016, o bonito Impossível Só (DoSol) foi o primeiro momento musical da dupla a fazer com que ela alcançasse novos ouvintes Brasil afora, figurando em várias listas de melhores discos daquele ano. Seguindo a receita da beleza presente no minimalismo, beats agradáveis e bonitas letras, dessa vez tocando em questões menos românticas e mais voltadas a questões comportamentais, o duo lançou ano passado seu segundo disco, Vinho (DoSol) reforçando a ideia de que as letras são fundamentais nas composições do Fetuttines. Pop eletrônico com lindas e contemplativas letras. Receita direta e aparentemente simples, que como é colocada em prática com maestria pela dupla, resulta em uma sonoridade límpida, bela e pouco vista por aí.

9 – Japandroids

A dupla britânica faz um indie rock agressivo e suave na medida, uma mistura qualificada de indie, garage rock, punk, talento e criatividade. O duo formado por Brian King na guitarra e voz e David Prowse na bateria e vocal, vem de Vancouver, Canadá, surgiram em 2006 e começaram a fazer barulho na cena depois do lançamento do seu primeiro disco, o contundente Post-Nothing (Polyvinyl Record Co.). Disco que começou a definir a identidade da banda, indie e noise rock acelerados, viradas rápidas, melodias e andamentos que ao mesmo tempo que parecem simples, surpreendem a todo momento, além de acertadas linhas de bateria. “Wet Hair” é a faixa na qual melhor se ancora a proposta conceitual, não só deste registro, mas também da banda no geral. Não por acaso o maior hit do disco. A banda lançou em 2012 o ótimo Celebration Rock (Polyvinyl Record Co.) que soa como uma continuação do disco anterior, que assim seja, são dois grandes trabalhos. Continuidade da sonoridade limpa, sincera e garageira, gostamos. O disco é uma celebração, celebra a volta da banda após três anos, e começa e termina no tom de celebração, com sons de fogos de artificio. Em 2017, novamente após alguns bons anos sem nenhuma novidade, a banda volta, com aquele que talvez seja o melhor dos seus três registros, o impecável Near to the Wild Heart of Life (ANTI-). Curiosamente, o título do disco é baseado no primeiro livro lançado por Clarisse Lispector, “Perto do coração selvagem”. O disco soa como se a dupla tivesse lapidado seus dois trabalhos anteriores, ampliando a identidade adquirida, fazendo com que esse seja o registro mais acessível da banda e ainda sim ser um salto de qualidade. A dupla continua fazendo seu garage rock característico, só que agora com uma nova estética, com pitadas saborosas de folk e pop. Um duo que em seus três discos permanece indo direto ao ponto, falando alto e abrindo passagem.

10 – The White Stripes

Essa aqui também fez muito barulho enquanto existiu, e barulho bom. E porque não dizer, fez história. O duo foi formado em 1997 em Detroit, era composto por Jack White, vocalista, guitarrista e pianista, e Meg White, baterista, percussionista e backing vocal, em 2011 a banda fez o anuncio oficial de seu fim. Mas não faltou barulho de qualidade e história nesses quatorze anos de existência, a dupla possui sete discos e inúmeros singles em sua discografia entre 1999 e 2010. O mais barulhento e histórico deles veio em 2002, Elephant (XL Records, V2 Records) tem na sua faixa de abertura aquela que se tornaria uma das mais reproduzidas canções no mundo desde então, o hino “Seven Nation Army”. Aquela que para muitos possui o riff mais marcante do século e para o New Yorker o segundo mais conhecido do planeta. É uma música extremamente premiada, venceu como canção de rock do ano em 2003, grammy de música de rock do ano em 2004, o prêmio NME de melhor faixa em 2004 além de alcançar o topo da modern rock tracks dos Estados Unidos em 2004. “Seven Nation Army” é indiscutivelmente a maior contribuição do duo para história da música, um ponto fora da curva, o ápice de qualidade de uma banda muito qualificada.

11 – No Age

O No Age é uma banda de noise rock, lo fi experimental surgida em Los Angeles, California. Formada pelo guitarrista Randy Randal e pelo baterista/vocalista Dean Spunt. De cara então as duas primeiras particularidades do duo, primeiro a proposta musical, noise rock, muito barulho sendo feito apenas por dois caras e suas experimentações, segundo o não muito comum fato de que o vocalista é também o comandante das baquetas. E sim, eles fazem muito barulho, é impressionante. A dupla consegue ser sutil enquanto soa muito alto com guitarra e bateria explosivas, uma espécie de pop com fortes pitadas de punk, passeando por uma espécie de new grunge que muito orgulharia Kurt Cobain. O duo lançou seu primeiro disco cheio em 2006, o poderoso Weirdo Rippers (FatCat Records). Entre 2006 e 2008 lançaram mais dois EPs, para então em 2008 assinarem com a histórica gravadora Sub Pop, onde permaneceram até 2013. Pelo selo lançaram três discos, entre eles o que para muitos é o melhor da discografia do duo, o Nouns (2008, Sub Pop Records). Ano passado lançaram seu mais recente trabalho, Snares Like a Haircut (Drag City) o quinto disco de estúdio da banda. Acelerada e sutil, barulhenta e mansa, enérgica, vibrante, responsável por grandes apresentações ao vivo, inventiva e técnica, uma dupla que fala alto com tranquilidade.

12 – Broken Bells

O projeto foi criado em 2009 por James Mercer, vocalista e guitarrista e por Brian Burton, mais conhecido como Danger Mouse, reconhecido pelo Gnarls Barkley, projeto em parceria com Cee Lo Green, e como renomado produtor, tendo sido o produtor de discos como o Demon Days do Gorillaz e o The Getaway do Red Hot Chili Peppers. Já em 2009 lançaram o excelente single “The High Road”, e logo em março de 2010 a dupla lançou seu primeiro disco. Como eles mesmos dizem, as coisas fluíram perfeitamente fazendo com que o entrosamento fizesse o trabalho acontecer naturalmente e rapidamente. O disco homônimo lançado pela Columbia, foi muito bem recebido por público e crítica. A dupla definiu seu trabalho como “melódico, mas experimental”. Nesse disco, os dois tocam todos os instrumentos, exceto por um arranjo de cordas em algumas das faixas. Já no ano seguinte a dupla lançou um EP, o Meyrin Fields (Sony Music) com quatro faixas. Diversos singles foram lançados através dos anos e em 2014 veio o segundo disco cheio do duo, After the Disco (Columbia) um registro mais pop que o disco de estreia, harmônico e gracioso. Com certeza pouca gente imaginou que o encontro de James e Danger não seria apenas temporário, por enquanto ele dura, e segue acontecendo com material de qualidade, esse indie rock alternativo quase contemplativo que ao mesmo tempo pode ser dançante. A continuidade veio ano passado com o lançamento do ótimo single “Sheltter”, que parece ser o pontapé de um novo trabalho, quem sabe um terceiro disco de estúdio. Que assim seja, ainda merecemos um pouco mais de Broken Bells.

13- Her’s

Conterrâneos dos Beatles, o duo surgiu formado pelo inglês Stephen Fitzpatrick, nos vocais e guitarra e pelo norueguês Audun Laading no baixo e nos backing vocals. A dupla foi formada em 2015 quando os dois estavam na universidade. Em março de 2017 lançaram uma coletânea, Songs of Her’s (Heist or Hit) que conta com músicas que eles já haviam soltado como single, além cinco músicas inéditas. Indie rock delicioso, com mansidão e pegada e com pitadas de pop e shoegaze, canções divertidas e calmas, surpreendentes composições e tudo que nós esperamos ao ouvir uma banda indie pop inglês. Trabalho muito bem recebido pela crítica local. Em 2018 o primeiro disco, “Inventation to Her’s” (Heist or Hit) de onde vem os principais hits da dupla. Um salto de qualidade em relação ao primeiro lançamento e uma banda que se fez ouvir com uma música delicada e virtuosa no seu tom. O registro fez a crítica inglesa os comparar a grandes nomes da cena indie europeia e os ter como jovens artistas para ficarmos de olho. Infelizmente não deu tempo. Em março desse ano, enquanto a banda excursionava pelos Estado Unidos, o veículo que os transportava se envolveu em um acidente, tirando a vida de Stephen e Audun e do empresário da turnê. Passando rápido como uma estrela cadente, com menos de três anos de existência, a Her’s veio, rasgou o horizonte musical do indie rock inglês, iluminou e se foi, deixando dois sinceros e bonitos registros e a certeza de que esses dois fariam muito mais.

14 – Tenacius D

Finalizando a lista com sorriso, com a maior banda do mundo, como eles mesmos se intitulam. Formada pela dupla de garotos com mais de quarenta e também atores, Kyle Gass e Jack Black, a banda surgiu em 1994, quando eles ainda se apresentaram no formato acústico. Ganharam popularidade em 1999 quando foi ao ar uma série homônima pela HBO, para em 2001 lançarem seu primeiro disco, um homônimo com impressionantes vinte e uma faixas. Hard rock, heavy metal e o chamado rock cômico, que caracteriza as composições da banda. São letras divertidas, provocativas e sátiras, como outrora fez o Raimundos no Brasil, por exemplo. Obviamente a proposta cômica do duo está por toda parte, além das canções, eles fazem apresentações divertidas e fazem piada até nas capas dos discos, como na provocativa capa do “The Pick of Destiny” segundo disco do duo, que é uma releitura feita por Jack e Gass da famosa pintura de Michelangelo, a criação de Adão, com a mão de Satan saindo de dentro de uma nuvem ao lado. Algumas redes de lojas americanas baniram o disco por considerar a capa uma blasfêmia. O nome da banda é uma referência a um termo usado por narradores esportivos norte-americanos, “tenacious d” é sinônimo de uma defesa forte no basquete. Em 2006 foi lançado o filme “The Pick of Destiny”, escrito por Black e Gass, o filme é um retrato fictício da formação da banda, o que fez com que os dois ganhassem ainda mais popularidade apesar da baixa bilheteria da produção. A trilha sonora do filme, toda feita pela dupla, é o segundo disco da banda, lançado no mesmo ano de lançamento do filme possui o mesmo título da sua obra cinematográfica e é responsável pelos principais hits do duo. O mais recente lançamento da dupla é o Rize of the Fenix (2012, Columbia Records). Há pouco os dois bagunçaram no Brasil com seu show no Rock in Rio, a primeira vez deles por aqui. Além do carisma e qualidade do duo por si só, eles chamaram atenção pelo groove, pelo balanço de Junior Bass, o bailante e irreverente baixista Juninho Groovador, que participou do show em três momentos, o mais legal deles fazendo uma versão forró de “Smell Like Teen Spirit”. Por falar em Nirvana, os Jack e Gass são grandes amigos de Dave Grohl, eles já abriram show para o Foo Fighters, Dave é o demônio que aparece na batalha final do filme, os dois já apareceram nos clipes divertidos dos Foo’s, Dave é quem faz as linhas de bateria em todos os discos da banda, além de ser a voz do demônio em um dos grandes hits do duo, “Beelzeboss (The Final Showdown)”. O Tenacius D é carisma puro, é irreverencia, é rock cômico de respeito, pois também é sim, muita qualidade musical. Dois bons atores que também são ótimos músicos.