“Aqui é trabalho que nem Muricy”, cantou Rincon em “Ponta de Lança (Verso Livre)” canção do último disco dele, o impressionante Galanga Livre (2017, Boia Fria Produções) melhor disco de rap nacional de 2017. Filosofia de Muricy e comprovadamente de Rincon. Em 2018 a cada colab, feat, part de Rincon com algum artista a gente pode ir percebendo que ele não para e onde ele participa o resultado é de alto nível. Isso tudo além de lançar os seus próprios trabalhos. Ano passado Rincon lançou os singles “Placo” com um dos melhores clipes do ano, “Resenha de Futebol”, parceria com Karol Conká e Rael e “Área de Confronto”. Além do vídeo de “Crime Barbaro”, outra faixa de Galanga. Ou seja, só por esses quatro trabalhos incríveis, todas as apresentações e outras obrigações como artista, o ano dele já teria sido muito produtivo. Mas não, teve muito mais. Aliás, estivemos em dois shows dele em 2018, dois shows surpreendentes, enérgicos e dançantes. Falaremos aqui sobre as participações, os colabs de Rincon em 2018, as participações dele em músicas de outros artistas. Listamos treze, com direito a playlist. Nossa lista de músicas onde o Rincon participa e sendo o Rincon, um dos maiores dessa geração, agrega e engrandece a canção.

No final, uma playlist com todas as músicas listadas.

1 – Devasto Prod – “O Ceu É o Limite” part. Rincon, BK, Rael, Djonga, Emicida e Mano Brown

Uma espécie de Mercenários do rap nacional, que time. O produtor Devasto idealizou o trabalho e foi o responsável pela união de expoentes de três gerações do rap nacional. O resultado não poderia ser diferente, grande faixa, para muita gente, a maior canção de rap do ano passado. Rincon abre os trabalhos e dá início a esse cypher que já é histórico. E ele canta: “Ai ai é o jargão, linhas pretas demais, eu escrevo com carvão/vaidoso como pavão, fechaduras enormes tenho que ser um chavão”. Não existe uma linha desperdiçada, BK e Djonga impressionam, Emicida chega diferente, o refrão marcante de Rael costura uma grande canção e Mano Brown é o último a rimar. Cypher marcante, impressionante, que canta a autoestima do jovem negro e dá voz a muitos.

“O rap é pra geral pretos, brancos, ricos, pobres, ok, mas a gente sabe qual o lado que morre”.

2 – Tropikillaz – “Dame Mais” part. Rincon e Clau

Essa foi uma das últimas da lista a serem lançadas, já no mês de dezembro, alcançando mais de quinhentas mil visualizações no youtube em menos de dez dias. Como quase tudo que vem do Tropikillaz a música é dançante e quente e chama para o baile. As vozes de Rincon e de Clau dão vida a música com o contraponto entre vocal de Rincon e da delicadeza da voz de Clau aliadas aos beats sempre precisos do duo. “Dame Mais” é uma festa, é pra se jogar.

3 – Iza – “Ginga”

O disco de Iza, Dona de Mim (Warner Music Brasil) foi sem dúvidas uma das grandes estreias do ano. O trabalho é um mais relato qualificado do novo pop nacional. O disco conta com grandes participações, como as de Marcelo Falcão, Ivete e de Rincon, que colabora na faixa que abre o registro e é um dos singles do disco. Tem que ter “ginga”, porque se o negócio é meter dança, já largamos na pole.

4 – Amanda Magalhães – “Fazer Valer”

Amanda é uma das mais promissoras artistas para os próximos anos na música brasileira. Ela é cantora, compositora, produtora e atriz (presente por exemplo, em 3%, série da Netflix) sendo ela a responsável pela produção musical do seu trabalho. O single “Fazer Valer” também foi lançado no último mês de 2018 e é o primeiro trabalho da cantora. Lançado pelo mesmo selo de Rincon, o Boia Fria Produções. Com direito a um bonito clipe gravado em dois templos budistas. A canção é romântica e fala sobre se entregar ao amor, com uma bela base de piano tocado por Amanda onde se ancora o instrumental da faixa e ajuda a aclimatar a canção no aspecto “brega de amor”. Rincon empresta sua voz na parte final da faixa, quase tão romanticamente quanto Amanda construindo um bonito contraponto vocal.

5 – Drik Barbosa – “Melanina”

Drik foi outra artista que estreou em grande estilo. Com um seu belo disco de rap intitulado Espelho, lançado pelo selo Laboratório Fantasma. “Melanina” é a faixa que encerra o disco, lançada como single foi uma mostra do que seria o disco de Drik. Beats com um levada suavizada no refrão, percussão esperta e metais impecáveis. A entrada de Rincon é anunciada com um afrobeat malandro. Empoderamento negro versado. Respeita a melanina!

6 – Ponto de Equilíbrio – “Na Função” part. Rincon e Rael

O Ponto de Equilíbrio é uma das bandas de reggae mais relevantes na história do reggae nacional, tendo chegado em 2018 a vinte anos de estrada. A banda lançou ano passado mais um álbum de inéditas, o Abre a Janela (Warner Music Brasil). Durante o ano chamaram atenção também com o lançamento do single “Na função”, reggae dos bons com a participação de Rincon, com direito a um lindo clipe gravado em algumas comunidades de São Paulo.

7 – Rubel – “Chiste”

Rubel lançou em 2018 seu segundo álbum em carreira solo, o convidativo e delicado Casas (Tratore), sendo inclusive indicado ao grammy latino. Um belo disco. Um dos pontos altos do registro é a faixa “Chistie”. A sutileza característica de Rubel permeia toda a canção, até mesmo nos versos levemente mais agressivos de Rincon, mesmo quando canta que “lágrimas são como Temer, necessário colocar pra fora”. A dobra de voz feita com os dois cantando junto é sensacional.

8 – Marcelo D2 – “Filho de Obá” part. Rincon, Danilo Caymmi e Alice Caymmi

D2 lançou em 2018 seu mais recente disco, o ótimo Amar é Para os Fortes (Pupila Dilatada) definitivamente um dos seus melhores trabalhos, que consegue expressar com um pouco mais de clareza todo o horizonte musical de D2. Um disco com inúmeros pontos altos, entre eles a faixa “Filho de Obá”, que além de Rincon conta com a participação de Danilo e Alice Caymmi, filho e neta de Dorival. Bela faixa e muito importante na construção conceitual do disco de D2.

9 – Boy Killa – “AFROnta” part. Rincon e Coruja BC1

Em uma lista com músicas de reggae, pop, trap, indie e mpb cheias das mais diversas referências, Rincon participa em uma grande faixa de rap, o seu gênero, com os beats e as rimas que o caracterizam. É rap direto e reto. Versos ácidos e concisos com um forte tom de protesto, do título ao videoclipe poderoso gravado entre becos e vielas do Capão Redondo, em São Paulo. “Não confunda as coisas, eu não sou folgado, folgado é o filho do Eike, fazendo strike embriagado”. Essa é uma daquelas faixas que confirmam que o “rap é compromisso”, e que uma afronta as vezes é necessária.

Já disse que os preto é chave, tamo pique Roberto Bolaños”

10 – Jah-Van (Compilado) – “Sina” part. Rincon e Arnaldo Antunes

Jah-Van é uma coletânea idealizada pelo produtor BiD, um compilado composto por músicas de Djavan em versões de reggae/ska. Cada uma das faixas é cantada por um, ou mais artistas diferentes. Cantam no álbum gente do nível de Criolo, Zeca Baleiro, Black Alien, Chico César, Zelian Duncan, Fernanda Abreu e outros. A dobradinha entre Rincon e Arnaldo é responsável por abrir o registro com a emblemática canção “Sina”, lançada originalmente por Djavan em 1982 no álbum Luz (CBS). Jah-Van é um belíssimo compilado de música brasileira cantado por grandes artistas e que homenageia um dos grandes da história musical do país.

11 – Pedro – “Na Quebrada”

Logicamente só temos grandes faixas na lista, mas essa aqui foi uma agradável surpresa. Uma fusão preciosa que mistura o rap brasileiro com o kuduro angolano, balanço e ginga ao máximo. Pedro é um produtor e DJ português que baseia seu som em ritmos africanos, como kizomba, tarraxo e kuduro. “Na Quebrada” é um hit que junta dois grandes artistas em um grande momento da cena musical lusófona que se faz cada vez mais global. Vem pro baile!

12- Sidney Magal – “Um Brinde a Vida”

Essa é sem dúvidas a participação mais inusitada de Rincon, que comprova a capacidade dele de transitar entre os mais diversos ritmos com a sapiência que conhecemos, tão eclético como essa lista demonstra. A música faz parte das comemorações dos cinquenta anos de carreira de Magal que lançou o CD e DVD Bailamos, resultado de um show gravado em 2017 em São Paulo. A faixa foi lançada como single ainda em dezembro de 2017, mas não poderia ficar de fora da lista. A canção é uma balada dançante e sensual que fala sobre o amor e alegrias, basicamente brindando a vida.

13 – Laborátorio Fantasma – Cypher – “Língua dos Campeões” part. Rincon, Kamau, Rashid, Drik Barbosa, Gson, Sir Scratch, Hollyhood e Papillon

Cypher lançado em agosto de 2018 pelo selo Laborátorio Fantasma e que diz que a língua portuguesa é a língua dos campeões. Juntos no cypher, quatro artistas brasileiros e quatro artistas portugueses, formando uma grande equipe luso-brasileira. Oito artistas dos mais relevantes nas atuais cenas de rap/hip-hop dos dois países. O ideia dessa junção foi de Fióti, CEO do selo Lab Fantasma, que viu os artistas no palco em um festival em Portugal e pensou em juntar um time para gravar uma canção simbolizando essa conexão transatlântica. E ele estava certo, grande faixa, importante e muito simbólica.

14 – Janine Martins – “Dendê”

Finalizamos com tempero, com dendê. A cantora e compositora brasiliense lançou em 2018 seu primeiro disco, Dendê (Independente). Na música título ela canta com Rincon, que também participou da composição. Uma faixa que mistura samba, rap, uma bela percussão e elementos de eletrônica, com uma roupagem leve e dançante, resultando em uma música brasileiramente bem temperada.