Listamos 20 séries dos mais variados gêneros e formatos, para serem maratonadas em época de pandemia, porque é tempo de ficar em casa. Fiquem em casa! Como não sabemos o que vai ser do planeta após essa crise, resolvemos não assumir a responsabilidade de possivelmente te viciar em algum produto que pode não ser renovado, portanto listamos apenas grandes produções, especialmente da última década que já foram canceladas ou que já tiveram seus anúncios de cancelamento. Tem ação, drama, comédia, ficção, séries premiadas, e que podem ser encontradas nos mais populares streamings. Acima de tudo, ótimos produtos seriados capazes de prender a atenção por quarenta dias, ou mais.

[Contém pequenos spoilers]

Banshee

Ação. Quatro temporadas (2013-2016) – Cinemax

Começando com aquela que por aqui consideramos a maior produção seriada já concebida pelo ser humano. Definitivamente a maior série de ação que já existiu. A história acompanha o xerife Lucas Hood (Antony Star) que na verdade não é Lucas Hood, muito menos xerife. Ele é sim o maior ladrão dos Estados Unidos, que após 15 anos na prisão assume a identidade de um xerife morto em um bar onde ele estava, na pequena cidade de Banshee, na Pensilvânia. Com ajuda de Job (Hoon Lee), amigo, e um poderoso hacker, ele vai a Banshee para encontrar Ana (Ivana Milicevic) sua ex-parceira, por quem ele foi parar na cadeia, que agora vive sob o nome de Carrie, e formou uma família. Hood resolve ficar em Banshee ainda assim, como xerife. Mas, como um bom ladrão, continua fazendo das suas. E encontra de absolutamente tudo por lá: Máfia ucraniana, para quem ele trabalhou no passado e agora o persegue, Kai Proctor, um bem sucedido empresário de origem Amish que na verdade é grande mafioso e traficante de drogas, comunidade indígena problemática, um núcleo neonazista, militares corruptos, relações e relacionamentos improváveis e violentos, sangue, suor, algumas lágrimas e muito mais sangue. Cenas de luta incríveis, com violência gráfica impecável. Personagens cativantes, outros odiosos, reviravoltas, incontáveis surpresas em uma série que soube o momento de parar. As quatro temporadas são suficientes, e são sensacionais.

Master of None

Comédia dramática. Duas temporadas (2015-2016) – Netflix

A premiada comédia dramática original Netflix, com 100% de avaliação no rotten tomatoes, foi criada por Aziz Ansari e Alan Yang. Aziz interpreta o personagem principal, Dev, no qual a série é centrada. Dev é um ator de 30 anos cheio de questões socio comportamentais e cercado por familiares e amigos igualmente complexos. Mas a complexidade está apenas no indivíduo, Master of None é simples, legível e cuidadosamente sensível, e é isso tudo sendo extremamente divertida. Qualquer pessoa com idade entre 25-35 anos vai se identificar prontamente com a produção. Dev tenta se virar na tumultuada Nova Iorque, busca por um emprego ideal, uma melhor relação com os pais, e ainda vive tendo encontros e desilusões amorosas. A vida amorosa de Dev, aliás, é um show à parte. Fotografia sensacional, ótima trilha sonora e excelentes atuações. Uma série simples, com a qual facilmente nos identificamos, pois é da vida, é do cotidiano que ela fala, e fala sobre racismo, homofobia, sexismo, sobre envelhecer com qualidade, com descontração e cuidado.

“wow, cool!”

Rectify

Drama. Quatro temporadas (2013-2016) – Sundance TV

Quase não estamos lidando com drama, então aqui vai mais um pouco. Também conhecida como uma das melhores séries que quase ninguém viu. Fato é que ela é uma das mais sensíveis produções já feitas, um tato incrível ao lidar com questões profundas e peculiares. A série começa com a saída de Daniel Holden (Aden Young) da cadeia após passar 19 dos seus 37 anos no corredor da morte por confessar o estupro e assassinato de sua namorada na época da escola. Mas aí está a grande questão, Daniel sim confessou, mas ele sai da cadeia justamente por conta do surgimento de novas evidências que tiram a culpa dele. Apesar de ser a grande questão, esta não é diretamente abordada na série até a última temporada, o drama se centra  na readaptação de Daniel a normalidade da vida. Seu pai morreu quando ele estava preso, sua mãe casou novamente constituindo uma nova família, e sua irmã, que tinha 12 anos quando foi preso, dedicou sua vida à sua libertação. Problemas em se relacionar, em encontrar um emprego, desgaste com familiares, tudo isso ancorado na primordial atuação de Aden. A sensibilidade de Rectify as vezes se faz necessária.

Preacher

Ação biblicamente apocalíptica. Quatro temporadas (2016-2019) – AMC

Insanidade, profanação, loucura em proporções bíblicas, mas tudo muito bem roteirizado, com uma história bem amarrada. Até porque a série é uma adaptação dos quadrinhos de mesmo nome criado pelas mentes doentias de Garth Ennis e Steve Dillon. A produção acompanha Jesse Custer (Dominic Cooper) um pastor de um pequena cidade norte-americana, cheio de dramas no passado que passa por uma crise de fé, e é nesse momento de descrença que ele adquire o poder da palavra de Deus, o Gênesis, agora tudo que ele fala é prontamente obedecido. O melhor da série é o trio de protagonistas, formado por Jesse, Tulip (Ruth Negga), problemática, que tem um passado com Jesse e nenhum medo do perigo, junta-se a eles Cassidy, um vampiro bêbado e despreocupado interpretado de forma brilhante por Joe Gilgun. Juntos os três e com o Gênesis em Jesse, eles então saem a procura de Deus, que está desaparecido. E então tudo, absolutamente tudo acontece. Pessoas são literalmente enviadas para o inferno, Hitler aparece, Deus teve um outro filho, o santo dos assassinos, um famoso matador do século XIX passa a caçar Jesse, uma seita religiosa absurda passa a ser um problema, enfim, tem de tudo. E tem de tudo com uma parte técnica muito bem executada, com ótimos efeitos, violência gráfica, sangue, explosões e tudo podendo ser piada.

Modern Family

Comédia. Onze temporadas (2009-2020) –  ABC

Falta de episódios para maratonar não vai ser problema aqui, são onze temporadas com mais de vinte episódios em cada. Modern Family é uma das maiores, melhores e por isso uma das mais vistas produções seriadas da história, para muita gente a melhor comedia já produzida. A série acompanha três ramos diferentes da mesma família, os Pritcher, que vivem em Los Angeles. Lideradas pelo pai Jay Pritcher, sua filha Claire e seu filho Mitchell. Jay é empresário do ramo de armários e closets, casado com uma mulher bem mais nova, Gloria, uma colombiana que é mãe de Many. Claire é dona de casa, casada com Phill Dunphy e mãe de três filhos, Haley, Alex e Luke. Mitchell é casado com Cameron, e juntos eles adotam uma bebê vietnamita chamada Lily. Como pode se imaginar as situações vividas por tantos personagens são as mais diversas. Passeando por temas como homofobia, xenofobia, machismo, adolescência, vida em comunidade e muito, muito mais. Modern Family é riso garantido.

Penny Dreadful

Terror/Fantasia/Drama/Thriller. Três temporadas (2014-2016) – Showtime

Durante a era vitoriana no Reino Unido, a literatura inglesa do século XIX se popularizou rapidamente, época de autores como Arthur Conan Doyle e Oscar Wilde. Para atender o crescente número de leitores surgiram os “Dreadulfs” e os “Penny Bloods”, espécies de folhetim que contavam histórias que normalmente continham muito sangue, terror, sexo e violência. Foi aí que a série se inspirou. A trama começa acompanhando Sir Malcom Murray (Timothy Dalton), que monta uma equipe para procurar sua filha desaparecida. Para tal missão ele convoca Vanessa Ives (Eva Green), melhor amiga da garota, mulher forte que é constantemente assombrada por fantasmas do passado, Ethan Chandler (Josh Hartnett), um pistoleiro americano extremamente habilidoso no manuseio de armas, e conta também com o doutor Victor Frankenstein (Harry Treadaway), que é recrutado por conta de suas habilidades médicas. A trama cresce rapidamente e se faz envolvente, com o roteiro incrível de John Logan, indicado ao Oscar por “Gladiador”, e com diálogos cheios de lirismo. Logo os monstros de clássicos da literatura inglesa aparecem, se entrelaçam e conferem a maravilhosa complexidade sombria da produção. Temos Frankenstein e seu monstro, Van Helsing, Drácula, e com destaque, o imortal Dorian Gray. Todos vivendo nos cantos úmidos e escuros da Londres vitoriana. Tudo isso somado a figuras e criaturas características do terror gótico, como bruxas, vampiros e lobisomens. Fotografia irretocável, figurinos e maquiagem impressionantes, ótima trilha sonora e atuações na medida feitas por um elenco que deu liga.

Scorpion

Aventura/Drama/Ação. Quatro temporadas (2014-2017) – CBS

Baseada em uma história real (dizem), a série centra sua narrativa em Walter O’brien (Elyes Gabel), gênio com QI de 197 (Einstein tinha 160 de QI), que com 13 anos foi preso por hackear a NASA. Aos 16 foi recrutado pelo agente Gallo (Robert Patrick) para trabalhar para o governo, após um desentendimento ele se afasta dos seus contatos com o governo e resolve montar sua própria equipe de gênios, o time Scorpion. Um grupo de gênios das mais diversas áreas que oferecem sua capacidade de resolver problemas, absolutamente qualquer problema. Happy Queen (Jadyn Wong) é uma engenheira de gênio forte, prodígio da mecânica, que conserta tudo e sabe de tudo. Sylvester Dodd (Ari Stidham) é o matemático do grupo, obcecado por estatista. Toby Curtis (Eddie Keye Thomas) é o mais carismático, um caricato psicólogo behaviourista com problemas com jogos e com a ex-noiva. Um belo dia, quando Walter consertava o wi-fi de uma lanchonete, ele conhece a garçonete do lugar, Paige Dineed (Katharine McPhee) e seu filho Ralph (Riley B. Smith), que Walter logo descobre que também é um gênio. Nesse meio tempo, o agente Gallo bate a porta de Walter para que ele resolva um problema no software do aeroporto de Los Angeles, que pode causar uma série de acidentes aéreos, o time Scorpion resolve. Paige passa a fazer parte do grupo, sendo a cola do time, a única mente não genial e por isso mesmo a única que sabe lidar realmente com pessoas. Com muita inteligência e jogo de cintura e com soluções na maioria das vezes irreais, eles vão resolvendo casos divertidamente complexos e quase sempre catastróficos a cada novo episódio. Uma série extremamente inteligente, baseada na inteligência e por isso é até mesmo educativa. Infelizmente a série terminou com um cliffhanger, ou seja, foi simplesmente interrompida, não teve um final de fato. Mas como a cada novo episódio surge uma nova narrativa, isso pode não ser um grande problema. De fato, uma ótima série.

LOVE

Romance divertido/Drama. Três temporadas (2016-2018) – Netflix

Após o lançamento da primeira temporada, o final da crítica do Hollywood Reporter dizia: “Não há muito a se desejar, se não o amor”. Existe um fundo de verdade aí. Fato é que LOVE é uma variação de um enredo comum, duas pessoas que aparentemente não tem muito haver se apaixonam e formam um casal, normalmente cheio de questões e problemas, mas que de fato se amam. Só que aqui essa variação é feita com um brilhantismo que pouco se vê, é feita com os pés no chão muito próxima da realidade. O casal em questão é Mickey (Gillian Jacobs), uma gerente de programa em uma estação de rádio, e Gus (Paul Rust, também um dos criadores da série), um professor de cenário. Gus está saindo de um relacionamento onde foi traído, e Mickey estava em um relacionamento confuso, mas que agora parece ter chegado ao fim. Se encontram por acaso e passam a manter contato. Ele um professor nerd aparentemente sem graça e de poucos amigos, ela, uma garota descolada aparentemente cheia de amizades e super popular. Acontece que os dois tem seus medos, suas peculiaridades, sua individualidade, e com eles a relação se costura, cheia de altos e baixos, ainda assim, fazendo surgir o amor. A comédia é parte presente e constante. Mickey é viciada em álcool e sexo ruim, como ela mesma diz, vive fazendo suas loucuras e disso deriva boa parte da comédia, em uma atuação saborosa de Gillian. Além disso, ela passa a morar junto com Bertie, vivida de forma brilhante por Claudia O’Doherty, uma Australiana peculiar recém chegada aos Estados Unidos. O jeito nerd de Gus, especialmente em situações vividas junto a loucura de Mickey, também rende boas cenas de humor. A série caminha bem, o roteiro é muito bom e três temporadas ficou de ótimo tamanho, mais que isso poderia deixar a série maçante, coisa que ela não é.  Fato é que LOVE é para sempre um objeto especial, das melhores produções originais Netflix, facilmente viciante por ser uma história que poderia tranquilamente ser verdade. Certamente conhecemos alguma Mickey e algum Gus por aí.

Years and Years

Ficção possível/Aventura apocalíptica. Uma temporada (2019) – BBC/HBO

Melhor temporada do ano passado. Impecável. Já falamos dela aqui na lista de melhores séries estreantes de 2019. As borboletas não existem mais… A série começa sua narrativa em 2019, mas avança rápido no tempo contando a história através de eventos e previsões tanto catastróficos como possíveis para um futuro próximo. Centrando sua narrativa em uma peculiar e diversa família inglesa, os Lyons. Tem o irmão gay que se relaciona com um refugiado, a irmã ativista que viaja o mundo em prol de causas sociais, o irmão mais velho e branco casado com uma mulher preta e que tem uma filha que sonha em ser “transumana”, a irmã cadeirante que cria os filhos sozinha e uma avó rabugenta, porém sensata. A produção pauta suas questões principalmente na política, assunto nunca antes tão atual, e acompanha a ascensão de uma polêmica figura política que é um retrato caricato de diversos líderes políticos mundo afora, por exemplo os de Brasil e Estados Unidos. A trama avança rápido no tempo através de anos e anos sempre pautando sua narrativa em questões geopolíticas atuais, passando por eventos como a reeleição de Trump e a morte de Angela Merkel, fazendo algumas previsões terríveis, mas não muito difíceis de serem imaginadas. Tratando de temas como, o aumento do número de militares tomando o poder em vários países, mudança climática, a disseminação de notícias falsas, a problemática dos refugiados, resseção econômica, protestos e manifestações… Acompanhando a família Lyon, a série mostra como essas terríveis mudanças no mundo impactariam a vida do cidadão comum, no nível familiar e como indivíduo. Years and Years aterroriza sim, sem monstros, mas com vilões reais, mostrando que no que depender do ser humano e apesar de nossa capacidade de fazer o bem, o mundo pode dar muito errado sim, e já temos prova disso.

The Good Place

Comédia pós vida. Quatro temporadas (2017-2020) – NBC/Netflix

A trama acompanha Eleanor Shellstrop (Kristen Bell), garota problemática, encrenqueira, frequentemente bêbada, que após sua morte se vê no “good place”, o lugar bom, para onde vão as pessoas que foram boas durante a vida, onde não se fala palavrão, todos são bons e estão destinados a encontrar sua alma gêmea com quem passarão a eternidade. Mas ele percebe que com a vida que levou ela só pode estar ali por engano. Ela então tenta enganar o arquiteto do lugar, Michael (Ted Danson), e sua assistente Janet (D’Arcy Carden), para evitar que descubram que ela está ali por engano e por isso ser enviada para o “bad place”, o lugar ruim. Logo ela descobre que outros foram enviados também por engano. Esses outros são, Chidi Anagonye (William Jackson Harper), um professor de filosofia que nunca consegue se decidir, Tahani Al-Jammil (Jameela Jamil), uma socialite superficial, e Jason Mendonza (Manny Jacinto), um vagabundo trapaceiro pouco inteligente. A trama se costura muito bem e não perde ritmo em nenhum momento das quatro temporadas. Entre tentar permanecer no lugar bom, descobrir como o erro aconteceu e evitar a ida para o lugar ruim, as mais diversas situações hilárias acontecem. Eles vão realmente mudando sua visão da vida, do mundo e das pessoas, tudo isso com um humor pontual e na medida, constantemente presente, praticamente toda cena é motivo de riso, como uma boa comédia tem que ser.

Louie

Comédia de humor ácido/Comédia stand-up. Cinco temporadas (2010-2014) – FX

A série de Louis C.K., o grande nome por trás da produção. Ele criou, escreveu, produziu, dirigiu, atuou e até mesmo editava todos os episódios em seu computador pessoal. Com a ajuda dos produtores Tony Hernandez e da genial Pamela Adlon. Louis é um dos grandes nomes da comédia mundial, responsável por ótimos produtos para a TV, especialmente para o FX, além de fazer stand-up desde bem antes da popularização desse formato de humor. E fazendo de um jeito extremamente ácido, até mesmo ofensivo, gostamos. Na série ele interpreta uma versão ficcional de si mesmo, o Louie, um comediante nova-iorquino divorciado, pai de duas filhas que sonha em ser escritor e roteirista. Um formato diferente dos padrões para a TV foi utilizado aqui, a série acontece como vinhetas prolongadas, que consiste em diversas narrativas e segmentos diferentes sobre situações da vida de Louie, aparentemente desconexas, mas que são conectadas através de trechos das suas apresentações ao vivo nos shows de stand-up. Por exemplo, quando acontece alguma situação peculiar quando Louie fica com suas filhas em casa, momentos que rendem sempre ótimas cenas, aliás, em seguida, no seu show de comédia, ele está lá fazendo piada sobre essa situação. Um formato absolutamente inventivo, hilário e funcional para contar a vida de um personagem da vida real, igualmente hilário. Tanto Louie quanto o Louis, não tem pudor, tudo é motivo para piada. E funciona.

Mozart in the Jungle

Comédia musical sem musical, mas com música/Drama. Quatro temporadas (2014-2018) – Amazon Prime

A música clássica passa uma imagem muito respeitosa e imponente a partir daqueles que a praticam, sendo um estilo sofisticado, sempre em busca da perfeição. Por isso Mozart in the Jungle é tão fascinante, ela vem que para derrubar essa percepção. E o faz adicionando sexo, drogas, traição e loucuras da vida real a personagens desse meio. Mostra a sujeira por trás da arte, sempre tão limpa e respeitosa. E o faz de forma hilária e qualificada. Baseada no livro do oboísta Blair Tindall chamado “Sex, Drugs and Classical Music”, onde ele como um bem sucedido músico de Nova Iorque relata suas memórias durante sua carreira profissional. A série se situa na Orquestra Filarmônica de Nova Iorque e acompanha o maestro Rodrigo de Sousa, vivido por Gael Garcia Bernal, um jovem maestro prodígio de hábitos nada convencionais que, após a aposentadoria do querido maestro Thomas Penbridge (Malcolm McDowell), é tido como o melhor nome para assumir a regência, pois a instituição busca agora por um novo estilo. Em paralelo, temos a jovem Hailey Rutlege (Lola Kirke), uma oboísta que sonha em tocar na orquestra. Após um teste fracassado, Hailey tenta ficar na orquestra trabalhando como assistente de Rodrigo. Mas as práticas de Rodrigo logo conflitam com as normas conservadoras da instituição. Ele leva seu papagaio para os ensaios, é casado com uma violonista que ele não vê a mais de dois anos, se envolve com outras mulheres e sempre acaba colocando a orquestra em situações peculiares e sempre muito divertidas. Tecnicamente irretocável, com uma fotografia que pode remeter a “Wiplash – Em busca da perfeição”, atuações incríveis de Gael e Lola, principalmente, e com piadas e situações hilárias que jamais se espera acontecer com membros de uma orquestra, por toda a pompa e elegância que transmitem, mas acontecem. Em uma das cenas mais divertidas da primeira temporada, Rodrigo tem uma conversa alucinógena com o Mozart em pessoa. Para quem gosta de música e um tanto assim de loucura (todo mundo gosta), a série é um prato cheio.

Les Revenants

Drama fantasmagórico francês/Horror/Sobrenatural. Duas temporadas (2012 e 2015) – Canal +

Ah, a morte. Nada mais natural que a morte. Ainda assim, a morte sempre foi algo que despertou uma enorme curiosidade nos seres humanos. Curiosidade essa, que só existe poque é a morte que faz o ser humano ser tão vulnerável. Cada cultura a trata de uma forma, baseada em crenças, ciência, religião, filosofia, tentando entender e até mesmo explicar o seu sentido. Para o cinema e para a TV ela é tema recorrente. Mas Les Revenants fez tanto barulho, foi tão aclamada e premiada, por tratar a morte com originalidade, e surpreender com o debate que ela levanta. A série se passa em uma pequena cidade francesa rodeada por montanhas e marcada por tragédias, onde falecidos moradores da cidade estão de volta a vida, sem lembranças de terem morrido, perplexos. Temos Camille, uma jovem estudante que morreu em um trágico acidente, Victor, um garotinho morto por ladrões, Simon, um jovem noivo que se suicidou antes do casamento, Serge, o serial killer local que foi morto pelo próprio irmão. E eles continuam a voltar. A reações são mistas, há tanto quem abrace a segunda chance como quem prefere não acreditar, alguns morreram há anos, outros morreram há décadas. Eles se misturam e elucidam inúmeras situações, como por exemplo o fato de muitos dos que estão vivos, possuírem uma vida mais vazia e sem sentido do que aqueles que acabaram de voltar. A série consegue prender a atenção e manter o suspense sobre o significado do evento sem ser cansativa, mesmo com um ritmo lento como de praxe em produções francesas. Mas se torna um exercício enigmático tentar descobrir os porquês e desvendar os personagens. Pouco é entregue, portanto muito pode se especular, teorias podem se formar. O clima obscuro segue por toda a narrativa sustentado principalmente por uma trilha sonora frenética, que sim assusta, mas com pouco sangue, os maiores impactos estão nos flashbacks que vão dando coerência ao mistério. Les Revenants é deliciosa, onde a morte é muito mais um vislumbre do que é estar vivo em um mundo constantemente de luto. Pois apesar de certa, nunca é fácil lidar com ela.

11.22.63.

Ficção semi-documental. Minissérie (2016) – HULU

A minissérie é baseada no best-seller homônimo de Stephen King, que também é aqui produtor, junto com J.J. Abrams, outro especialista em viagem no tempo, Bridget Carpenter e Bryan Burk. A premissa é simples, voltar no tempo e impedir o assassinato de Kennedy. É, mas nada aqui é simples. O professor de literatura Jake Epping, vivido com brilhantismo por James Franco, leva uma vida nada colorida e é frequentador do restaurante de Al (Chris Cooper), um senhor que está com os dias contados, e por isso mesmo reparte com Jake seu segredo, o que ele chama de “toca do coelho”, uma possibilidade de viajar no tempo, e faz isso para que Jake possa executar um plano que ele não conseguiu e não irá mais conseguir, voltar até o dia 22 de novembro de 1963 e impedir o assassinato de John F. Kennedy. Viajar no tempo, e ainda por cima impedir um dos assassinatos mais famosos da história (se é que ele aconteceu mesmo) não poderia ser nada fácil, e as coisas ganham ainda mais complexidade quando Jake se apaixona no meio do caminho. Daniel Webber, o ator que vive Lee Harvey Oswald, o assassino em questão, faz também um excelente trabalho de atuação. A trama envolve fácil, e o formato de minissérie faz com ela seja ainda mais fácil de se maratonar.

Skins

Drama infanto-juvenil inglês (mas tem que ser o inglês). Sete temporadas (2007-2013) – Channel 4

Um clássico. Se você acompanha esse mundo de séries com certeza já assistiu ou ao menos ouviu falar de Skins. E clássicos são sempre bons de serem revisitados. A trama acompanha a vida de adolescentes que vivem em Bristol, na Inglaterra, através dos seus dois últimos anos de ensino médio. Tocando em questões como sexualidade na adolescência, transtornos mentais, abuso de drogas, famílias disfuncionais e morte. Cada episódio é centrado em um dos personagens. A primeira geração acompanha Cassie, Tony, Sid, Chris, Michelle, Jal, Maxxie, Anwar e introduz Effy, irmã de Tony e que seria um dos principais nomes da segunda geração. Sim, de forma nada convencional para um produto seriado, a série é dividida em gerações, a primeira vive as duas primeiras temporadas, a segunda vive a terceira e a quarta, e a terceira geração vive a quinta e sexta temporadas. A sétima temporada possui apenas três episódios, narrando as histórias de três dos mais importantes deles, posteriormente ao que foi vivido em suas gerações, encerrando a série. São histórias divertidas e acima de tudo dramáticas, um drama adolescente que de forma escancarada aborda assuntos polêmicos, ainda mais polêmicos em 2007. Mas é daí que deriva todo o sucesso de Skins. Por tudo que ela foi, por toda a comoção causada, a capacidade de levantar e gerar discussões a partir dos temas abordados, no que diz respeito a produções seriadas, Skins é sim um clássico.

Red Oaks

Comédia. Três temporadas (2014-2017) – Amazon Prime

Junto com Mozart in the Jungle, foi um dos primeiros produtos de sucesso da Amazon, antes da popularização do canal e do streaming. A série se passa no subúrbio de New Jersey durante os anos 80. Centraliza sua narrativa em David Meyers (Craig Roberts), um jovem universitário que arranja um emprego durante suas férias de verão de 1985 como assistente de tênis em clube predominantemente judeu, o Red Oaks Country Club. David está naquela fase de indecisão da vida, sobre o que fazer com ela, o que fazer do seu futuro, ele sonha em ser cineasta, mas seu pai insiste que ele estude contabilidade. Ele tem sua namorada, um amigo peculiar que também trabalha no clube e acaba colocando David em diversas divertidas situações e tem uma relação conturbada, ainda que tranquila com seus pais. Uma série lindamente bem aclimatada nos anos 80, que tem seus momentos de maior humor derivados de situações que acontecem no clube, as mais diferentes e impossíveis situações. Tocando em temas como a transição da adolescência para a vida adulta, a necessidade de ser bem sucedido, a manutenção de algumas relações, relacionamentos amorosos, a busca pela felicidade. E constrói sua narrativa através dos nichos da vida de David, família, amigos, colegas de trabalho e, principalmente, toda a agitada vida no Red Oaks. A menor das situações cotidianas contém doses calorosas de humor, colocadas de forma muito esperta. “Sex, drugs and Country Club”. Os rumos pelos quais seguimos quase nunca são por aqueles que planejamos, e David vive isso.

Misfits

Ficção Cientifica/Comédia dramática britânica. Cinco temporadas (2009-2013) – Channel 4

Misfits é mais uma loucura bem sucedida do Channel 4, responsável por grande parte das grandes produções britânicas para a TV. A história acompanha um grupo de jovens delinquentes que prestam juntos serviço comunitário como pena por suas infrações. Enquanto trabalham, uma estranha tempestade elétrica atinge a cidade, atribuindo a cada um deles um poder sobrenatural. Óbvio que eles, jovens perturbados, usariam seus poderes apenas para os mais egoístas e cômicos interesses, os colocando em situações tanto cômicas quanto trágicas. O elenco central é composto por Simon, que cumpria pena por incêndio criminoso, ele ganha o poder da invisibilidade, mas quando toma algum tipo de droga, se torna o centro das atenções. Kelly, condenada por agressão e tumulto, ganha o poder de ler pensamentos, mas sob o efeito de drogas ele revela segredos dos outros e de si mesma sem intenção. Alisha, condenada por dirigir embriagada, tem agora o estranho poder de fazer com que aqueles que ela toca, experimentarem uma intensa e incontrolável atração sexual, sob o efeito de drogas o poder se reverte, e as pessoas passam a ter nojo e repulsa dela. Curtis, condenado por posse de cocaína, tem o poder de voltar no tempo, porém, sob o efeito de entorpecentes, ele acaba podendo ver o futuro. E Nathan, condenado por furto e vandalismo, passa a primeira temporada inteira tentando descobrir seu poder, no final, descobre que adquiriu a imortalidade que também o confere o poder de falar com os mortos. Mas não se apegue, Misfits não tem problema em matar seus personagens, qualquer um, tanto que o elenco é constantemente modificado durante as cinco temporadas. Após um tempo, eles descobrem que outras pessoas na cidade também adquiriram poderes. Se envolvem em assassinato, ocultação de cadáver e situações toscas e cômicas ao extremo. Imagine, se superpoderes fosse algo real, e fossem conferidos a pessoas totalmente desequilibradas, jovens e inconsequentes delinquentes, pois é. Por isso mesmo que Misfits é entretenimento garantido.

The Americans

Drama histórico/Suspense. Seis temporadas (2013 – 2018) – FX

A série se passa durante a guerra fria, acompanhando Elizabeth (Keri Russell), e Philip Jennings (Matthew Rhys), dois agentes da KGB infiltrados nos Estados Unidos vivendo como uma família simples no subúrbio de Washington. Estão há anos no país, são donos de uma agência de viagem e ali constituíram família, seus filhos Paige (Holly Taylor) e Henry (Keidrich Sellati), nasceram nos Estados Unidos e, em princípio, não sabem a verdade sobre seus pais. E eles são, convenientemente, ou não, vizinhos de um agente do FBI, Stan Beeman (Noah Emmerich), que trabalha na divisão de contra-espionagem. Os Jennings são os melhores agentes infiltrados da KBG nos EUA, como espiões fazem missões de recrutamento, espionagem nos mais diversos níveis e mantém a rede secreta de informações entre espiões que atuam no país, tudo soba tutela de Claudia (Margo Martindale), sua conexão com a KGB na Rússia. A série começou como um drama familiar, focado principalmente na vida norte-americana dos Jennings, fazendo paralelo entre sua vida doméstica e as divergências ideológicas entre EUA e Rússia, acentuadas durante a guerra fria. A produção ganhou força nas temporadas seguintes a da sua estreia, ao se utilizar com precisão e sutileza de eventos reais do nosso tempo, como a anexação a Rússia da Crimeia e os rumores de que o presidente russo Vladmir Putin teria ajudado a eleger Trump. Deixando de ser um simples exercício histórico e muito mais um comentário político contemporâneo. Parte da genialidade da série sempre esteve aí, na capacidade de se manter relevante e atual. Mas The Americans nunca foi uma série bombástica, explosiva e revestida em efeitos especiais, embora eventualmente entregasse alguma cena de violência chocante, os baques emocionais na maior parte do tempo aconteceram através de diálogos, na sutileza das expressões dos atores. Muito do que foi dito pela série, foi dito nas entrelinhas. Uma produção potente, tecnicamente irretocável, que encantou público e crítica rapidamente, sendo para muitos a melhor produção seriada da última década, foi extremamente premiada especialmente nas categorias de atuação. Uma série que falou sobre intimidade, pessoalidade e política, e na medida, fez com que essas coisas andassem juntas, falando sobre crescer e amadurecer, fez os expectadores perceberem um pouco melhor a complexidade desse mundo.

Orphan Black

Suspense/Drama/Ficção Científica/Clonagem Humana. Cinco temporadas (2013-2017) – Space/BBC

É preciso dizer que enquanto a série esteve no ar, Tatiana Maslany venceu todo tipo de premiação possível para uma atriz de TV, de Globo de ouro a Emmy, tudo. E tudo de forma muito merecida, ela é a cara, a voz, a vida da série. Tudo isso, por dar vida não só a uma personagem, mas sim a treze diferentes personagens, com mais frequência a pelos menos seis desses, clones. E fez de forma brilhante. Clonagem humana, um tema polêmico, aqui retratado com muita sabedoria e originalidade. A história acompanha Sarah Manning, uma órfã britânica que após presenciar o suicídio da detetive Elizabeth Childs, alguém que se parecia muito com ela, assume a identidade dela para tentar resolver seus problemas financeiros, ficando com o dinheiro de Childs e assim podendo começar uma nova vida com seu irmão adotivo Felix (Jordan Gavaris) e sua filha de sete anos Kira (Skyler Wexler). Mas fazendo isso, ela coloca em meio a uma trama que muda sua vida. Uma trama que envolvem clonagem humana, sendo ela, um desses clones. A série entrega logo de cara a questão da clonagem, não fazendo mistério sobre, por que o grande debate não está aí, mas sim no embate constante entre clonagem e ética social. Elucidado pelos dramas pessoais de cada uma das personagens vivida com brilhantismo por Tatiana, cada um dos clones, com sua história de vida e dramas pessoais. Cada uma delas foi inserida dentro de um contexto, de uma nacionalidade. Quando outras cópias começam a aparecer, a trama se costura com sutileza e ganha toda a dramaticidade necessária, não se perdendo em possíveis clichês ligados ao tema, mas colocando em primeiro plano as questões de ética médica e social, e a ciência. E assim, o fantástico tema clonagem é situado dentro do comum, do cotidiano. A vida de uma das cópias é a vida comum, como a de qualquer pessoa. No fim, uma história envolvente, com uma seita religiosa envolvida, a empresa médica responsável pelos clones, clones masculinos, reviravoltas em uma história complexa na medida, com personagens cativantes e que se encerrou muito bem após cinco temporadas.

Hunters

Status: No ar com uma temporada (2020)

Canal/Streaming: Amazon Prime

Não conseguimos e colocamos na lista uma série recentemente lançada, ainda no ar, mesmo que o anúncio de renovação ainda não tenha sido feito, mas que deve acontecer. Afinal, poucas coisas são capazes de entreter e educar mais que nazistas sendo caçados. Os “Hunters” são um grupo peculiar de caçadores de nazistas, cada um com seu drama, sua história e sua habilidade. Nazistas esses que vivem tranquilamente em Nova Iorque nos anos 70, a maioria deles membros do alto escalão da turma de Hitler, que estão instalados nos Estados Unidos fazendo grandes planos para um novo massacre. A série acompanha esses caçadores, que são liderados por Meyer Offerman (Al Pacino, fazendo sua estreia em produções seriadas), um judeu que sofreu nos campos de concentração. Em uma certa noite, um desses seres assassina Ruth, avó de Jonah Heidelbaum (Logan Lerman), sua única parente até então viva. Após a morte de sua vó, também judia e que esteve em um campo de contração junto com Meyer, Jonah começa a investigar e descobre que sua vó fazia parte desse grupo de caçadores. Meyer então o apresenta o grupo e lhe conta sobre sua missão, e conta que a melhor vingança é a vingança, fazendo dele agora mais um membro dos “hunters”. Mais um ótimo produto original Amazon, de novo acertando em cheio na edição, nos efeitos visuais e na violência gráfica da produção, e com um enredo sombrio que prende totalmente o expectador. Contando com Jordan Peele como um dos produtores executivos. A primeira temporada conta com dez episódios de cerca de uma hora cada.